
Passando por uma longa faze de mudanças, descobri que me identifico bastante com esse animal. Sim o texto hojé é em primeira pessoa do singular.
Vamos ao começo de tudo.
Sempre fui muito bem educada e obediente, nunca, até hoje, ousei desafiar meus pais.
A vida na casa do papai e da mamãe é muito boa. Temos tudo o que queremos nas mãos: carinho, atenção, comida na mesa, roupa lavada e, principalmente, proteção. Uma proteção contra tudo e todos que estão do lado de fora da porta de entrada.
Ao ter que sair dessa zona de conforto somos obrigados a encarar o mundo.
Ainda passei um bom tempo tentando ser a "boa menina" que saiu de casa, mas as coisas mudam.
Com toda a excelente educação que meus pais me deram, não conseguia impor minhas idéias e opiniões em diversas situações. Preferia me calar a ter que magoar alguém. Acabava magoando a mim mesma.
Até que um dia eu resolvi mudar.
Haviam muitas coisas acumuladas na minha "caixinha de paciência" e bastou uma decpção amorosa (há uns 2 anos atrás) para que eu decidisse mudar.
Calma! Não me tornei uma má e mal educada menina, apenas resolvi falar o que penso.
Lógico que toda mudança ocorre aos poucos, e comigo não está sendo diferente. Ainda prefiro me calar em algumas situações, mas já sei dizer "NÃO" magoando ou não magoando alguém.
Aprendi a me adaptar aos ambientes em que estou, a fazer a separação entre trabalho, faculdade, família e EU.
Estou aprendendo a lidar com meu lado sentimental, um tanto quanto conturbado, mas eu chego lá.
E por que tudo isso?
Não faço isso por que me decepcionei com alguém. Faço por mim. Precisei mudar.
Como era muito "boazinha" e não sabia dizer "NÃO" a maioria das pessoas se aproveitavam disso, principalmente no trabalho.
No lado emocional me dedicava por inteiro ao relacionamento, sendo super romantica, carinhosa e atenciosa. Esse ponto relamente fui forçada a mudar devido a algumas "quebras de cara". Por favor não me entendam mal. Não me tornei uma insensível e fria, mas agora analiso muito bem um relacionamento antes de me dedicar completamente a ele. Se realmente valer a pena, tenho o maior prazer de ser uma boba apaixonada. É apenas uma espécie de barreira que eu coloquei contra os canalhas.
Descobri que as festas são boas. Como nunca tinha ido, descobri agora. Que sair com os amigos na quinta feira a noite e chegar de madrugada é muito interessante. Que os congressos da faculdade são perfeitos, apesar de ninguém ir às palestras porque amanhecem nas festas. Descobri um mundo que não conhecia, uma "liberdade" que tinha mas não vivia.
"Você não era assim! Quando eu te conheci você era uma 'santa'!". Ouvi isso de várias pessoas.
Quer saber? Eu mudei sim! Não estou 100% satisfeita com o rumo da mudança. Claro que preferia acreditar na inocência e veracidade das pessoas. Mas isso é muito difícil hoje em dia não é?
Também não me tornei uma revoltada contra as pessoas e as mentiras que as rodeiam. Mais uma vez coloquei barreiras contra isso.
Acho que coloquei barreiras demais, a ponto de contar nos dedos as pessoas que realmente me conhecem através dessas barreiras.
A grande maioria ainda vai ver a Láis sorridente e educada, mesmo estando triste e estressada (esse último quase sempre, rsrs).
Também existem aqueles que acham que fazem parte do grupo restrito de pessoas que me conhecem de verdade e acabam se surpreendendo com algumas atitudes minhas. De certa forma é engraçado.
Mas não, eu não uso máscaras! Me adapto ao ambiente, danço conforme a música, desde que não fira a mim mesma e aos que verdadeiramente amo.
Camaleão = metaformose ambulante = LAÍS