quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eita dupla!

"Não me deixe só, eu tenho medo do escuro, eu tenho medo do inseguro, dos fantasmas da minha voz."
Sempre destestei o silêncio! Para mim sempre foi uma companhia desagradável que lembra solidão.
Desde uma experiência traumática de morar sozinha na capital, evito ao máximo estar só e em silêncio ao mesmo tempo. (eita dupla!)
Posso estar sozinha em casa mas a televisão ou o som tem que estar fazendo algum ruído, nem que sejá só para quebrar o silêncio.
Estar só e em silêncio me faz pensar. Não que eu não não goste de pensar, mas os pensamentos que me vêem a mente nesses momentos não são bons.
Normalmente quando todos de casa viajam e sou forçada a ficar só saio sem rumo visitando a casa dos amigos. Tudo para evitar a solidão.
Mas a noite de ontem (terça-feira) foi diferente! Eu quis estar só!
Desisti de ir à aula, peguei o colchão e o coloquei na varanda, local onde eu podia ver a lua, que estava lindíssima em sua fase crescente!
Ficar no silêncio seria pedir demais da minha pessoa, então logo coloquei música para tocar (MPB).
A experiência foi agradável. Enquanto observava a lua vários pensamentos invadiram minha mente de forma calma e organizada.
Não vou escrever aqui o que pensei até porque isso é um blog onde eu "dou um tempo" não um diário com minha história de vida. Mas ontem eu tirei a capa do super-homem que me fazia forte e me tornei um ser humano fraco.
Descobri, que mesmo sendo uma coisa sonhada, não estou feliz no trabalho, nos estudos e em todas as outras áreas da vida. Talvez até esteja, mas o cansaço me impede de ver essa felicidade. Cansaço físico, mental, emocional (esse é o pior) e principalmente cansaço de tantas mentiras.
Diferentemente das outras noites a sós comigo, a de ontem foi construtiva.
Hoje, quarta-feira, é feriado. Acordei tarde porque os feriados no meio da semana parecem não passar. Ao abrir a porta do quarto mais um dia de solidão. Apesar de ser feriado o restante da casa ainda trabalha.
Não precisei da música para afastar o silêncio, hoje estou à vontade com ele, mesmo ainda não gostando da dupla junta.
O humor hoje está bem melhor. Deve ser efeito da lua.
Vou celebrar o aniversário de uma pessoa querida, ela não merece me ver chateada.
Para que o dia passe mais rápido gosto de ler. Me encontrei nesse trecho do livro "O vendedor de sonhos" de Augusto Cury: "Mas, pouco a pouco, entramos no infinito mundo do silêncio. A partir desse momento, nossa perceptividade aguçou. Comecei a distinguir os sons agudos de um pássara. Ele repicava uma belíssima melodia com inacreditável fôlego. Anotei-a. Em seguida, outro pássaro cantou uma chorosa melodia. Momentos depois, um pombo macho fazia um ritual de cortejo para uma fêmea. Observei mais de dez cantos extraordinários de pássaros. Eles não tinham muitos motivos para se animar nesse frio canteiro de concreto, mas, diferentemente de mim, festejavam. Observei e anotei a valentia dos troncos carcomidos das árvores, que, apesar da impermeabilidade do solo e da escassez hídrica, sobreviviam no inóspito ambiente, uma valentia que nunca tive. Mais de dez milhões de pessoas passaram por essas árvores desde que foram plantadas e talvez no máximo dez delas observaram detalhadamente. Começava a me sentir um privilegiado no deserto social."
Definitivamente não em sinto bem com essa dupla junta (silêncio e solidão) mas descobri que a lua estando no meio as noites são bem melhores.

1 comentários:

Tércio Ximenes disse...

"Eles não tinham muitos motivos para se animar nesse frio canteiro de concreto, mas, diferentemente de mim, festejavam."

João de Kronstadt escreveu: "seja lá para onde eu olho com os olhos do coração, no meu interior ou fora dele, em todo lugar vejo fortes motivos para agradecer e glorificar a Deus."

Assim também são os pássaros, pois só veem motivos para agradecer a Deus.

Basta parar um pouco o corre e corre da vida e observar os animais, que aprendemos as mais belas lições de vida.
Com os pássaros aprendemos a ser gratos por tudo.
Com as formigas aprendemos que podemos ser fortes quando trabalhamos em união.
E assim por diante..

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