Uma sala pequena, com uma porta de vidro, duas mesas com dois computadores, dois armários e mais uma mesa para arquivar a papelada e quatro cadeiras. Essa é a sala onde trabalho, onde passo a maior parte do meu tempo.
Não há uma placa indicando que alí é a contabilidade, o RH e o fiscal. Acreditem, passo grande parte do dia resolvendo tudo só.
Embora todos os meus colegas de trabalho saibam dos meus afazeres eles confundem minha sala com um consultório psicológico.
Não sou psicóloga e nem estudo para ser, mas uma coisa que eu gosto é de ouvir as pessoas.
Por ser uma sala fria (pelo ar condicionado) e eu estar quase sempre sozinha nela, eles entram, sentam, puxam conversa, tiram a minha concentração do trabalho e simplesmente desabafam e me pedem os mais variados conselhos.
Me sinto honrada com a confiança que eles depositam em mim. Realmente paro tudo para ouvir de coração aberto.
Já ouvi as mais loucas histórias desde intrigas internas até suspeita de gravidez. Algumas vezes fico tão "pasma" que nem sei o que dizer depois do desabafo, mas acho que só o fato de ouvir já ajuda.
Um amigo muito querido (M.A.) disse que é uma virtude minha tentar ajudar os outros, às vezes até querendo me colocar no lugar deles. E eu respondi que essa virtude era uma droga porque eu me envolvia tanto tentando ajudar os outros que acabava sofrendo junto e não conseguindo ajudar a mim mesma.
Claro que essa resposta veio em um momento de desespero e crise de identidade. Me sinto muito feliz quando as pessoas retornam a minha sala com um sorriso enorme e cantando vitória sobre o "problema".
O último desabafo foi hoje!
Um colega, dos mais queridos, está enfrentando problemas amorosos. Ele está dividido entre um amor de muito tempo e uma recente paixão.
Não é caso de traição, pelo menos é o que ele diz. O caso é que terminou um namoro de muito tempo e, logo em seguida, encontrou uma outra pessoa.
Por estar chateado com a "ex" e, consequentemente, carente, se envolveu de cabeça no novo relacionamento.
Várias vezes entrou em minha sala dizendo que a "ex" ligava, mandava mensagens, mas ele não queria mais; queria esquecer.
Como esquecer um amor? Para esquecer um amor é necessário outro amor?
Sinceramente não acredito nisso. Não é possível simplesmente pegar uma borracha e apagar tudo que foi vivido. Um amor não é esquecido, as lembranças sempre ficam sejam elas boas ou ruins. O amor apenas morre e renasce em outra pessoa.
No caso do meu colega não renasceu amor. Renasceu o sentimento de liberdade, a curiosidade de algo novo e diferente, apenas uma paixão.
Hoje ele caiu em si!
- Laís eu estou tão arrependido! Fui conversar com ela (a "ex") ontem e ela não quer mais saber de mim, mas eu gosto muito dela!
- Gosta? Gostar é pouco pra querer voltar!
- Eu amo aquela mulher!
Não escolhi uma ou outra, até porque não as conheço. Disse para ele DAR UM TEMPO para os três, ficar só e decidir o que realmente quer, antes que todos sofram muito mais com isso.
Mas lá no fundo do meu coração, como todo e qualquer romântico assumido, eu torço pelo AMOR!!!



1 comentários:
tem razão certos casos tem que ser resolvidos não no desespero mais sim no bom dialogo entre os dois envolvidos.
Fco. Antonio
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