Ela foi dormir tarde e teve sono pesado com bons sonhos. Ao acordar, escovou os dentes, tomou banho, se arrumou, se maquiou, se sentiou "poderosa" então preferiu o salto alto, tomou café da manhã, pegou as chaves e desceu.
Como de costume, no caminho para o trabalho conversava consigo mesma. Pensava no que iria fazer durante o dia, já organizando na cabeça as prioridades.
Ao chegar, tudo estava normal. Os "bom dia" e os sorrisos dos colegas de trabalho continuavam os mesmos, alguns mais alegres, outros só por educação, nada anormal.
Ao chegar em sua sala a grande surpresa.
Não eram rosas vermelhas, balões em forma de coração, chocolates ou ursinhos fofinhos que toda mulher gosta. Era algo que ela valorizava muito. Um simples detalhe.
Sim, era Malbec!
Não era o seu perfume preferido mas era o que ela tinha aprendido a amar, era o que lhe trazia as lembranças mais gostosas.
Por alguns segundos ela parou, fechou os olhos, suspirou bem fundo e só lembrou. Lembrou do que foi, do que poderia ter sido, do que não era mais.
Voltou a realidade e saiu perguntando a todos se alguém havia entrado em sua sala. As respostas eram sempre as mesmas: "Não sei", "Não vi".
Achou tudo aquilo uma tortura psicológica e ao mesmo tempo adorou lembrar dos momentos bons. Logo ela que guardava cada cheiro, cada música, cada detalhe. Voltou a sala com a certeza de que tinha sido ele que havia entrado lá e burrifado o perfume. Com qua intenção ela não sabia.
Uma pergunta não saía da cabeça. Por que os homens só demonstram sentimento quando tudo parece perdido? Isso ela também não sabia.
Conseguiu retomar a concentração e voltou a trabalhar normalmente, porém o cheiro continuava lá. Até que a porta da sala se abriu e uma colega disse: "Foi ele! Acabou de confessar lá na sala." Foi aí que as dúvidas viraram mais dúvidas.
Foi almoçar na esperança de que quando voltasse o cheiro tivesse ido embora. Que nada! Continuava lá, até no mouse, impregnado com todas as lembranças.
O colega de sala chegou usando, adivinha qual perfume.... Malbec. Naquele dia até o colega de faculdade estava usando Malbec. Foi um dia de Malbec, um dia de lembranças.
O motivo, o objetivo, o porquê desse simples e grandioso ato ela não sabe. Foi vingança? Ele só queria torturá-la? Foi uma tentativa de dizer que ainda sente alguma coisa? Até agora ela não tem respostas. Só sabe que no final do dia o cheiro foi embora, mas as lembranças ficaram pra sempre.



1 comentários:
poxa o malbec te tortura em
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